Sabe quando você chega às 20 horas no equipamento social (centro de acolhida), no limite do horário do jantar, e literalmente está no fim da fila? Feijão frio, mistura ressecada, fios de saladas murchas...
E por quê? Porque não há um padrão na elaboração dos pratos, seja na confecção, no serviço ou na apresentação. Enfim, vai à mesa daquele que chega às 17 horas para jantar algo completamente diferente de quem chega às 20 horas. Não entro no mérito da quantidade. Para muitos, aquela será a ÚNICA refeição do dia. A questão é falta de padrão mesmo.
Falta esclarecimento aos funcionários da cozinha, falta organização, falta amor para com o outro (lembrando-se que em cozinha a necessidade maior é saber que você está preparando algo para o “outro” comer e que, invariavelmente, você também será o “outro” em determinada hora, em determinado lugar)... É tanta falta que beira o surreal.
Hoje vou me prender nesse ponto. Você chega no fim do jantar, que é seu direito, e está garantido por lei (aliás, quando assinam o convênio com a prefeitura, as entidades estão BEM cientes dos deveres) e pega o que sobra por pura falta de gerenciamento, por desmazelo, desamor mesmo.
E o que é pior: tem que jantar, ou melhor, engolir a comida, porque tem um funcionário fuzilando-o com o olhar, para que você saia o mais depressa possível, pois ele tem que limpar o refeitório. Está bem, eu sei: ele está cansado, mora longe, vai pegar condução, todos os fatores sociais aí embutidos. Mas ele não é o único. É só mais um na multidão. Deveria se lembrar que aquela pessoa que ele está servindo se não está na mesma condição que ele, deveria estar e, por isso, mesmo é considerado um excluso.
Isso sem falar nos funcionários mais afoitos, que começam a limpar a mesa com você ainda comendo. Aquele pano imundo e fétido ao seu lado. Os “pseudos-monitores”, orientadores, que não monitoram, nem orientam nada, mas berram em alto e bom som, que você não deve “enrolar” e sim comer logo e descer.
Bem vindas, gastrites, úlceras e afins. Adeus tudo aquilo que mamãe ensinava: “Hora da refeição é sagrada. É a hora da partilha, hora feliz, tem que ser prazeirosa, etc...”. Tudo tem que ser muito rápido, mal-feito, sem amor, sem dedicação, mas com muita regra inútil e desnecessária.
E a maior surpresa ainda está por vir: é salsicha de novo!!!
Nenhum comentário:
Postar um comentário